segunda-feira, maio 19, 2008

Punch Travel - London Short Short Story

Era uma vez um rapaz chegado de Londres, e a malta à sua volta inquiria “ Então que tal?”. Bom, como sempre para as perguntas fáceis o rapaz não encontrava uma resposta simples. Mas entretanto outras pessoas iam chegando, e entre cumprimentos e outras update conversations ficou a pensar na pergunta:

Que tal era Londres? Três dias não são suficientes para se dizer alguma coisa sobre uma cidade, por mais pequena que seja e aquela sacana não era nada pequena. Lembrei-me do que seria um bom indicador de cidade simpática, e uma cidade simpática era por exemplo Madrid que no Carnaval passado assim que estacionei o carro, acabado de sair da garagem me presenteou com uma selvagem cena de sexo de um casal contra a montra de um estabelecimento a meros 10 metros da Gran Via que às 4 da manhã ainda estava apinhada de gente a circular. Ora mais fofo do que uma cidade se virar para um índividuo e dizer “Bienvenido, amor crudo para ustedes” é complicado. Ora Londres, também fofa mas não tão carnal, à sua maneira ofereceu também uma simpática recepção. Embora dispensa-se a puta da chuva às 3 da manhã enquanto não descobria a porra do autocarro na absolutely overwelming estação de Victoria, mais o rombo de 14 libras só em transportes!!!(14 libras é bué mas assim bué de guita). Telefonei à minha amiga que me ia receber e que prontamente me indicou o nº do autocarro que deveria apanhar e o sítio em específico onde me deveria colocar para o apanhar. Antes de desligar ainda me fez uma pergunta meio estranha” Já compraste a ostra?” Eu obviamente disse-lhe “Não” e pensei “Bivalves às 3 da manhã?? Que tarada...” Desliguei e fui comprar um iogurte(fiquei 2 libras mais pobre, 2 libras é montes de dinheiro). Descoberto o dito iniciei a tarefa de tentar explicar ao condutor daquela coisa querida e vermelha de 2 andares que queria ir para Edgware Road, pronunciar Edgware de uma maneira satisfatória não é uma tarefa tão simples como parece, enquanto eu lutava com a palavra o motorista saiu-se com isto”I´m sorry, but... tu és português não és?!” E a jornada que até então estava a a ser cansativa para o corpo para o espírito e para a carteira ganhou contornos ternurentos com uma viagem de curta duração mas de empatia secular à conversa com o condutor que, turns out, era cabo-verdiano.Chegada a minha estação tive vontade de me despedir com um abraço de boa sorte, mas aquilo tem um separador de maneira que a única coisa que se arranjou foi um murro afectuoso no vidro. Mas a vida é assim depois do adeus há sempre um olá ao virar da esquina, e neste caso foi só sair do autocarro porque a minha amiga estava lá a minha espera, ensonadíssima porque tinha de trabalhar no dia seguinte, mas ainda assim conseguiu dar uma breve palestra sobre orientação em Londres. Estando sozinho e como tenho uma aversão psico-alérgica a mapas tenho de estabelecer objectivos realistas para os meus passeios. Pareceu-me razoável estabelecer como objectivo único para o dia seguinte ir ao Tate Modern e voltar a tempo de jantar. Escolhi o metro para me ajudar nesta minha peregrinação e adoptei a linha castanha como a minha linha de estimação, o metro de Londres é assim uma cena tão gigante tão colorida e nervosa, parece um acidente de um anúncio da Benetton. Além de ser a linha que tem o nome mais cool delas todas(Bakerloo) é também a morada para estações como Oxford Circus, Picadilly, Waterloo e em especial para Warwick Avenue(Ohh my God!!!!! Estou tão fucking in love pela Duffy..!!!). Entrei e saí várias vezes da agora ”minha” Bakerloo, felizmente descobri que a Ostra afinal não era comida o que fez com que os custos deste saltitar fossem aceitáveis(4 libras é o máximo que se pode debitar na Ostra a partir daí é tudo à borla). Numa das minhas imersões à superfície em Oxford Circus comecei a andar à toa escolhendo as viragens à esquerda e à direita pelo método de Monte-Carlo e fui parar ao Soho, procurei a magia da Sue Townsend em Adrian Mole na idade do Cappuccino quando o pôs a viver lá, não encontrei e fui-me embora, afinal tinha um objectivo a cumprir e já estava na afternoon tea time. It was raining like cats and dogs, whatever that means e fui a pé da estação de Waterloo até ao Tate Modern, a certa altura já tinha o aspecto de quem foi dar um mergulho ao Thames vestido, mas não interessava muito pois já me encontrava na maravilhosa promenade que dá pelo nome de Queens Walk. Para realçar o meu aspeco de lunático-vagabundo, quase posso jurar que estive no sítio onde o Woody Allen filmou aquela cena do Match Point onde o anel fica a saltitar, portanto “a cena” do filme e lá fiquei especado a sorrir com as pessoas a passar à minha volta cheias de vontade de me mandar um moedinha tenho a certeza, não só porque parecia uma estátua mas também devido ao meu aspecto sofrido e húmido. O resto da tarde foi passada no Tate Modern(finally), e andei andei, acho que andei mais do que andei o dia inteiro(0 libras, zero libras é zero euros, nada) e mesmo assim só vi para aí 1/4 do que estava disponível. Fui-me embora quando os seguranças começaram a varrer gente, assim como se faz em Portugal nos Arraiais quando os que restam são os desgraçados dos bêbados que não notam que já é de dia e se recusam a admitir que a noite acabou. De volta à minha casa, de metro naturalmente, na minha Bakerloo obviamente, dei-me conta que em virtualmente todas as estações se tem de descer para aí ao 3º terraço da montanha do purgatório, o que até faz sentido porque é o terraço da Wrath e as pessoas de facto não parecem nada afáveis lá em baixo. Depois de uma cena copiada do Sliding Doors(acho que fiz de propósito, uma vez que é um dos filmes cá da minha lista top) apanhei o metro por milésimos de segundo, o que foi extremamente estúpido porque me podia ter aleijado, amaldiçoei a minha mente preversa que orquestrou de certeza este incidente e disse-lhe para por enquanto deixarmos de lado as fantasias cinematográficas de preferência aquelas que me podiam causar fracturas. Reparei logo numa figura loira a alguns metros, estava de perfil em relação a mim, advinha-se o nariz grego e o olho verde esmeralda ,ganga justa a apertar o corpo modelo de altura modelo, guardava uma enorme mala cor-de-rosa, ecusado será dizer que a minha escolha de contemplação na tube journey estava feita. Little did i know que a história não me ia deixar ficar na passividade contemplativa. As cabeças rodam com graus de liberdade fora do comum, as cabeças param de frente, desviam disfarçadamente e fazem tréguas de olhas tu olho eu para evitar o embaraço da luta corpo, a corpo olho a olho. Pensei - tu queres ver que afinal vim parar ao Terraço 7º? A cada paragem os corpos na carruagem rearranjavam-se e sempre de maneira a diminuir a distância inicial entre nós(eu e a Emily, aposto que era esse o nome dela) até ao limite do frente a frente. Uma estação ou duas de movimentos desajeitados de parte a parte, esboçando suspiros de quem vai dizer algo mas que acabam em goles em seco, até que a Emily já muito agitada procura o contacto visual e pergunta qualquer coisa no inglês imperceptível dos ingleses, dessa frase a única coisa que apanhei foi “Heathrow”, encolhi os ombros disse-lhe “I dont know”, ela ficou desiludida e baixou a cabeça. Mais uma ou outra estação e ela saiu, já do lado de fora, parou, olhou para trás e sorriu como quem insulta alguém. Eu sorri de volta como quem diz, tens razão.

-HUGO!!? HUGO?!- Alguém quase gritava- desce à terra pah..!! Estás muito calado. Vamos lá a saber afinal, que tal foi Londres?

- Hmm... Olha Londres não me recebeu com sexo mas foi fofa, trata-te como se fosses rico, tem uma ostra que é um cartão muito útil e não é comida, insiste em lavar a malta e o Romance cabe dentro do metro.

-.... Ok...

“Hmm... onde é que eu ia?!..”

5 comentários:

Lucky disse...

O teu melhor texto. Parabéns!

Pedro Gomes disse...

Homem, tas num sitio onde ninguem te conhece, uma gaja aborda-te e tu só dizes "não sei"?!?!?!
Ela queria saltar-te pra cima pah, é mais que claro!!
Que menino... lol

DK disse...

sobre este texto "top of the league, and havin a laugh".

só tenho pena que em Berlim n te tenhas lembrado do Sliding Doors e eu tenha ido sozinho pra casa ffs xD

hugo patricio disse...

Lucky - Obrigado :)

Murta - Sim... Campeão.

Peter- :) e se bem me lembro o responsável foi o Filhipe e a sua limitada destreza a comprar bilhetes. :p

Ian Flemming disse...

De fazer inveja ao Bernard Shaw...